terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

John Wayne e Psicanálise


Neste post apresentarei, numa primeira instância, uma pequena biografia de um dos mais famosos serial killers que a humanidade já confrontou, John Wayne Gacy, e, posteriormente, tentarei elaborar uma explicação, com fundamentação psicanalítica, do perfil deste individuo.


Notas Biográficas

"John Wayne Gacy Jr., também conhecido por O Palhaço Assassino ou Pogo, nasceu a 17 de Março do ano de 1942 em Chicago. Filho de pai alcoólico, teve uma infância traumática , sendo frequentemente espancado e alcunhado de “maricas” pelo próprio pai. Quanto à sua relação com a sua mãe, esta era bastante próxima com alguns traços de identificação.
Gacy casou em 1964. No mesmo ano teve a sua primeira experiência homossexual enquanto a sua mulher estava no trabalho com o seu filho Michael.

Anos mais tarde, Gacy recusaria ser homossexual, conformando-se que era bissexual. O seu casamento chegou ao fim quando, no ano de 1968, Gacy foi preso e condenado por ter sido encontrado a praticar actos sexuais com um jovem na casa-de-banho de um bar.


Os homicídios começaram em Janeiro do ano de 1972 com a vítima Timothy McCoy, um rapaz de 18 anos. As suas vítimas foram sempre do sexo masculino, jovens de preferência, novos e musculados. Com uma tendência denotada para a pedofilia, tinha um desprezo particular por homossexuais, mas, também, por políticos. Persuadia as vítimas a acompanhá-lo até à sua casa com promessas de emprego, onde, depois, as embebedava ou convidava para a demonstração de algum truque, dada a sua habilidade como palhaço amador. Porém, após amarradas à cadeira, as vítimas já não se soltavam. Gacy apreciava a leitura da bíblia enquanto decorriam as violações e estrangulava vagarosamente, estilo garrote, altura em que também se vestia de palhaço. A sua “assinatura” passava por enfiar na boca ou na garganta das vítimas as suas próprias roupas interiores, para lhes abafar os gritos.

As suspeitas nunca caíram sobre Gacy até ao dia 12 de Dezembro de 1978quando estava a ser investigado a respeito do desaparecimento de Robert Piest, um rapaz de 15 anos, que fora visto a ultima vez com Gacy e quando um vizinho alertou a policia, estranhando os cheiros nauseabundos que escapavam do número 8213 da West Summerdale Avenue. Gacy explicou que era, apenas, “um entupimento nos canos de esgoto”. Mas, mesmo assim, a polícia decidiu investigar. No porão, sob um alçapão oculto, foram encontrados na fossa sanitária – que Gacy tinha mandado construir particularmente grande – os restos de vinte e nove corpos de jovens entre os nove e os vinte e sete anos de idade, denotando sinais de tortura, violências sexuais e estrangulamento.

Na tentativa de explicar o seu comportamento, Gacy declarou que havia quatro John’s: o empreiteiro, o palhaço, o político e o assassino, sendo que este ultimo o possuía em certas alturas, como se fosse um “mau eu”, e era ele que cometia os crimes.
Todos os sete psiquiatras que o examinaram concordaram que ele era inconsciente e contraditório, mas, nenhum diagnosticou múltiplas personalidades, tendo sido considerado competente para ser julgado.

Em 1980 foi condenado pelos seus 33 homicídios confirmados a 21 prisões perpétuas e 12 penas de morte. No dia 10 de Maio de 1994 foi executado na cadeira eléctrica. Durante os 14 anos que teve preso teve mais de 400 visitas e recebeu mais de 27 mil cartas. Aproveitou para se divorciar, tentou o suicídio e dedicou-se à pintura."


Um Olhar Psicanalítico sobre J.W.Gacy Jr.

Desde a sua tenra idade, John Wayne Gacy veio a experienciar toda uma infância negligenciada pautada com violência física e psicológica (e.g. insultos e humilhações) por parte da sua figura paterna.


Numa visão probabilística, com base na escassa informação relativamente à sua biografia, é de salientar uma resolução inadequada do Complexo de Édipo, tendo estabelecido uma identificação com a sua mãe (a nível de padrões comportamentais e, possivelmente, sexuais, estando nesta fase a génese da sua homossexualidade) em oposição a uma figura paterna isenta de afecto e de cuidados vinculativos para com Gacy Jr.

Devido a este conflito intrínseco no seio do seu psiquismo relacionado com a sua sexualidade, com base nos processos mnésicos que contemplavam os repreendimentos do seu pai assim como pelo o próprio constrangimento social, Gacy, numa fase posterior, afirmou-se como bissexual (passando, evidentemente, por uma fase de negação da sua orientação sexual). Desta forma, J.W.G. foi adoptando diversos mecanismos de defesa do seu ego com o intuito de proteger a sua estrutura mental. Destacam-se a repressão e o recalcamento da sua sexualidade, assim como deslocamento da sua angústia e cólera contra indivíduos homossexuais (deslocamento este associado à génese dos seus crimes).

Gacy manifestava um padrão consistente no que respeitava à escolha das suas vítimas, que assentava em dois pontos de referência: indivíduos do sexo masculino assim como fisicamente atraentes. A explicação de tal conduta poderá residir, tal como fora anteriormente mencionado, na expressão do seu subconsciente do ódio que sentia por si mesmo, devido à sua homossexualidade, adoptando toda uma projecção de sentimentos contra aqueles que se moldavam à sua imagem, espelhando, por assim dizer, todos os seus conflitos.

Um outro aspecto relevante de se salientar nos actos de Gacy é o facto de que este, aquando as violações das suas vítimas, apresentava uma apetência peculiar pela leitura da bíblia. Com padrão comportamental, possivelmente, Gacy tentaria a via da desculpabilização e do perdão pelos seus actos e impulsos que não conseguia controlar, tanto a Deus como, provavelmente, ao seu próprio pai.


Apesar de não dispor de uma formação consistente no domínio psicanalítico tentei alcançar, em jeito de reflexão pessoal, um perfil de J.W.G. a partir do modelo da psicanálise, indo ao encontro com a ideia - chave que são as primeiras relações que se estabelecem na infância que determinam, em grande parte, a nossa estrutura da personalidade.

4 comentários:

Rosa Silvestre disse...

Olá Psykhe, o selinho da Pedagogia do Afecto também é seu. Obrigado pela visita e pela gentileza.
Nunca tinha ouvido falar neste Jonh Wayne, pensava que era ou outro 8
(cowboy). Defacto está aqui um interessante trabalho de pesquisa e de análise posterior.
Os meus parabéns pelo post!
Abraço, RS.

Stranger(s) in our own Land disse...

agradecimento pelo psicodrama

Rosa Silvestre disse...

Este blog merece o selinho trilegal.Parabéns!

Gabriel Cruz disse...

"executado na cadeira eléctrica"está informação está errada,ele foi execultado com uma injeção letal...só isso mesmo,o resto está perfeito.